quarta-feira, 17 de março de 2010

“Sensibilidade à flor da pele”

Acredito que essa famosa expressão procura definir o estado emocional das pessoas, ou seja, se estão iradas, frágeis, aflitas, desamparadas, frustradas ou carentes.
Contudo, na maioria das vezes, somos forçados a reprimir nossas emoções, o que acaba sendo um grande erro, se considerarmos o fato de Deus ter nos criado livres para expressar o que sentimos diante dos fatos reais da vida: morte, doenças, guerras, injustiças, mentiras, falsidade, traições, calúnias, amor, paz, justiça e sucesso. Se Deus não nos desse liberdade para expressar o que sentimos, uma vez que somos pura emoção, com certeza já teríamos sucumbido há muito tempo. Na maioria das vezes, as pessoas que mantêm ou tiveram suas emoções reprimidas por alguém são pessoas emocionalmente enfermas, quase sempre estão deprimidas.
“No evangelho de João, escreve Brennan Manning, lemos que Jesus “agitou-se no espírito e perturbou-se” (11:33). Em Mateus a sua ira se manifesta: “Hipócritas! Bem profetizou Isaías acerca de vocês, dizendo: “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram” (15:7-9). Quando Jesus viu a viúva de Naim, “se compadeceu dela e disse: “Não chore” (Lucas 7:13). Pesar, frustração e tristeza espontaneamente irromperam quando ele chorou sobre a cidade e disse: “Se você compreendesse neste dia, sim, você também, o que traz a paz!” (Lucas 19:41). Não houve qualquer vestígio de contenção emocional quando Jesus bradou: “Vocês pertencem ao pai de vocês, o Diabo, e querem realizar o desejo dele” (João 8:44). Frustração em suas palavras, “até quando estarei com vocês?” (Mateus 17:17), ira incontida em “para trás de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim” (Mateus 16:23), sensibilidade extraordinária em “alguém tocou em mim” (Lucas 8:47).
Jesus Cristo não tinha nenhuma dificuldade em liberar suas emoções, e o fazia espontaneamente e livremente, sem temer a repercussão disso. A razão? Ele vivia em perfeito equilíbrio com o seu interior.
Infelizmente, pelo fato de serem pessoas reprimidas, e consequentemente ignorantes acerca do uso de suas emoções, muitos cristãos demonstram imaturidade crescente nas mais variadas áreas de suas vidas. Tudo seria mais fácil e melhor, creio eu, se nós conseguíssemos expressar as nossas emoções naturalmente sem que isso fosse visto como uma “aberração” ou como questão de ofensa pessoal a quem quer que seja. A verdade é que as pessoas estão tão acostumadas a camuflar suas emoções que quando alguém faz isso naturalmente, esse alguém é reconhecido como desajustado emocionalmente ou como uma pessoa insensata e agressiva.
O pedido do apóstolo Paulo em Romanos capítulo 12 está ligado ao objetivo do cristão de ter a sua mente renovada, o que para mim é, na verdade, um processo de renovação das emoções, que só se torna possível com a influência do Espírito Santo diretamente em nossa mente: “Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês.” Essa influência poderosa do Espírito Santo em nossa mente facilitará a nossa compreensão a respeito da utilização sábia de nossas emoções no aperfeiçoamento do nosso caráter e, portanto, facilitará a nossa manifestação como filhos de Deus, deixando-nos livres para fazer a boa, perfeita e agradável vontade de Deus no mundo.
“Não se reprima”. Libere suas emoções moderadamente e com sabedoria colocando-as sob o controle do Espírito Santo. Essa é uma questão fundamental em relação à unidade na igreja e, também, em relação a nossa saúde espiritual, emocional e social.

A Missão Da Igreja No Mundo

A missão da igreja no mundo

Muitos cristãos, apesar de tudo, ainda não absorveram a idéia de que estão aqui no mundo em missão evangelizadora e, por causa disso, afastam-se tremendamente do propósito de Deus para as suas vidas.
O amor de Deus pulsa no “coração” da igreja de forma “absurda” através da presença do Espírito Santo em sua vida comunitária. A aceitação e posterior compreensão desse milagre afetam direta e positivamente a interação da igreja com o mundo. A igreja deve projetar-se para o mundo disposta e pronta a oferecer seu serviço diaconal permitindo que transborde de si mesma o amor de Deus em direção àqueles que o ignoram.
Esta dimensão envolve o impacto que o ministério reconciliador da igreja exerce sobre o mundo, escreve com propriedade Orlando Costas em seu livro Compromisso e Missão. “O grau de participação da igreja na vida, conflitos, temores e esperanças da sociedade tem relação direta com o alívio da dor humana e com a transformação das condições sociais que têm condenado milhões de homens, mulheres e crianças à pobreza. Sem esta dimensão a igreja perde sua autenticidade e credibilidade, pois somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade à sua vocação de amor e serviço ela poderá esperar ser ouvida e respeitada”.
Pensando nessa dimensão citada a cima por Costas, concluo que não são poucos os desafios que a igreja enfrenta e enfrentará daqui para frente. Por isso, faz-se necessário abraçar tais desafios com submissão completa ao Senhor e com muita seriedade no envolvimento com a missão que nos foi entregue por Jesus Cristo. Assim sendo, não nos pode faltar o desejo de que a igreja jamais deixe de ser a voz orientadora de Deus diante das massas empobrecidas pela forma sarcástica, descompromissada e desumana com a qual os seres humanos têm tratado uns aos outros. A igreja tem tudo a ver com esses desmandos sim, e precisa posicionar-se contra as hostes infernais que dominam a vida de homens, mulheres, velhos e crianças acarretando-lhes, no mundo inteiro, completo sofrimento. A igreja é a única que pode, com a autoridade e a unção da mensagem evangelística que recebeu de Deus, afetar poderosamente esse estado de morte que corrói a sociedade global.
Por isso, com fé no coração e confiança nas promessas que Deus fez, a igreja não deveria se omitir de sua responsabilidade missionária. Sua ação incisiva contra a maldade nos seus vários tipos de expressão social proporcionaria ao ser humano a compreensão do seu lugar diante de Deus, diante da criação, diante de si mesmo e do outro. A compreensão do seu lugar frente a esses ambientes, daria condições aos homens de abençoarem-se e assim alcançar a justiça e a paz interior tão almejada por todos nós.
A espiritualidade sadia que a igreja detém consigo precisa desembocar nas vidas de todos os necessitados, em todos os lugares, como uma mensagem de esperança que transmita o interesse de Deus em renovar a sua criação à sua própria imagem e semelhança.