Paulo advertiu seus irmãos de Colossos a colocarem seus corações na eternidade e é claro, ele tinha ótimas razões para dar essa recomendação. “Pensai nas coisas de cima e não nas que são da terra”. (Cl 3:2) Tudo aqui na terra, além de efêmero, é muito atrativo e nós temos a tendência de valorizar muito mais as coisas aqui “de baixo” do que as “lá de cima” onde Deus se encontra. Por exemplo: com o interesse de não perder o verdadeiro foco da sua existência, o salmista preferiu pensar prioritariamente na eternidade. “Elevo os meus olhos para o alto. De onde virá o meu socorro? O meu socorro vem do Senhor, criador do céu e da terra”. (Sl 120)
Geralmente, como seres humanos, passamos a depender muito do dinheiro, da fama, do poder, do prazer, quando na verdade deveríamos depender exclusivamente de Deus, ou seja, da sua boa, perfeita e agradável vontade. Acredito que qualquer ser humano pode viver os seus dias aqui na terra usufruindo de tudo aquilo que conquista a partir de seu trabalho. O problema não está nisso. Deus não nos proíbe de prosperar na vida. Onde está o problema? O problema está no fato de permitirmos que esses caminhos controlem a nossa vida a tal ponto que a vontade de Deus seja colocada à margem da nossa vida. Devemos ter cuidado, portanto, com as escolhas ou direções que tomamos. Alguém disse que sempre de novo nos devemos afastar das direções erradas, em que tão frequentemente nos movemos com o nosso pensar e agir. Sempre de novo nos devemos voltar para Ele, que é o Caminho, a Verdade e a Vida. Sempre de novo nos devemos tornar “convertidos”, com toda a vida voltada para o Senhor. E sempre de novo devemos deixar que o nosso coração lute contra a força da gravidade, que o puxa para baixo, e levantá-lo interiormente para o alto: para a verdade e o amor”.
Isto é, todos os nossos desejos, vontades, lucros, conquistas, conhecimento, influência e talentos precisam convergir para Cristo. O correto é colocar nosso pensamento e atitude na direção certa. “Para a dispensação da plenitude dos tempos, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra”. (Ef 1:10)
Se vivemos aqui nesse mundo, mas com “o coração” interiormente levantado para o alto, nenhum tipo de escassez será capaz de desviar nosso pensamento da eternidade onde Cristo está. Nada poderá nos arrastar para baixo e colocar sobre nós fardos pesados que não poderemos carregar. Fardos, aliás, que Cristo já carregou em nosso lugar. Isso não significa que vamos abandonar o nosso cotidiano, a nossa realidade. Na verdade, significa que começaremos e terminaremos nossas atividades desejando que Deus sopre sobre nós seu “vento eterno” para cuidar de nós.

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