Antes de Partir
Depois que a gente atinge uma certa idade, para uma grande maioria depois dos quarenta, começamos a enfrentar várias crises existenciais. Entre elas, começamos a considerar mais seriamente a chegada da velhice, o fato de o tempo passar rápido demais, a chegada dos cabelos brancos, muitas vezes escondidos pelas tintas milagrosas do momento, o fim da nossa história aqui nesse mundo, a morte inevitável. Talvez, por causa da presença da maturidade, passamos a valorizar mais a Deus, a nós mesmos, a família e os amigos. Digamos que é a partir daí que começamos a viver realmente. Caímos na real e constatamos que a vida é mesmo um vapor, uma fumaça. Portanto, é completamente normal querer estender a vida mais um pouco. Ter um tempo maior para rever o passado, dar mais qualidade ao presente e tomar decisões que tragam um futuro menos sofrível para nós e para os outros. E aí, nos abrimos mais para novos relacionamentos, buscamos as curas para as feridas que a vida nos trouxe, nos tornamos mais pacientes com as crises doentias dos outros, mais moderados, compreensivos e, ainda assim, resta-nos aquele ódio pessoal por não termos vivido mais abertos a essas questões durante os anos que se passaram.
Eu mesmo perguntei a Deus várias vezes o porquê de não ter atingido a maturidade dos quarenta anos aos dezessete, aos vinte ou aos trinta. Penso que teria sido mais fácil caminhar. Teria falado e feito menos “besteiras” considerando o que já fiz, teria evitado batalhas sem sentido das quais participei, para depois descobrir que não valeram à pena e certamente me sentiria menos envergonhado do que me sinto quando lembro de algumas atitudes infantis que foram motivadas pelo orgulho, pela impaciência, pela necessidade de aprovação e pela ansiedade.
Gosto de imaginar que foi isso o que o rei Ezequias sentiu quando soube que ia morrer por causa de uma doença. Assim diz o Senhor: “ponha em ordem a sua casa, pois você vai morrer; não se recuperará”. Depois da oração e choro de Ezequias o Senhor volta atrás e lhe aumenta a vida em mais quinze anos. Esse foi o presente do Senhor a Ezequias por ter lhe servido fielmente (leia 2 Reis capítulo 20).
Da interpretação que Brennan Manning fez de Mateus 22.1-14 em seu livro “Um Vislumbre de Jesus”, entendi que tudo o que quero é me preparar antes da minha partida para poder entrar na festa no reino dos céus com a roupa apropriada. Brennan afirma: “O cristão que percebe a gravidade de sua situação sabe que a decisão não permite nenhum atraso. Quando a existência real de um discípulo é ameaçada, quando ele se coloca no limiar da ruína moral, quando tudo está em jogo, chegou a hora da tomada da decisão audaciosa e resoluta... é o Cristo de Deus oferecendo uma oportunidade incrível, uma chance para toda vida”.
Tenho aprendido que o traje festivo é o arrependimento. Quero vesti-lo hoje mais do que já quis em toda a minha vida. Quero estar preparado quando a morte ou o dia da calamidade chegar. Quero me converter todos os dias ao amor, à alegria, à retidão, à justiça e à gratidão. Antes de partir, quero mudar de vida e ir a Jesus para que ele compartilhe a sua graça comigo. Quero perceber a gravidade da minha condição e encontrar o perdão de Deus. Não quero mais nenhum atraso. Durante o tempo que me resta agarro a oportunidade incrível, uma chance para toda a vida que o Cristo de Deus está me dando.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Ponto Zero
De todas as vivências que experimentei, neste ano que vai nos deixando, entre descobertas, perdas, fracassos e vitórias, uma foi determinante para algumas decisões que tomei em relação a Deus, ao ministério pastoral, à igreja e à vida familiar.
Em 2009, Deus mexeu e ainda continua revolvendo o solo (pelo menos é o que parece) da minha espiritualidade. Foi um tempo para rejeitar ideias antigas, fortalecer outras e me abrir para um horizonte de novas ideias. E mais uma vez, por misericórdia, Ele usou os meios que julgou necessários para falar, consciente de que eu o ouviria. Tenho sido verdadeiramente moído e humilhado perante o Senhor. Como sou uma pessoa pouco sensível, principalmente para as coisas espirituais, creio que o Senhor se “esforçou bastante” para se comunicar comigo. Agradeço por sua paciência todos os dias.
Acredito que este ano tem sido um ano singular, pelas dificuldades teológicas e emocionais que enfrentei, em todos os aspectos da minha vida pessoal, mas creio que aprendi algumas coisas importantes.
Decidi abandonar a carreira religiosa e ser um verdadeiro pastor. Não para ser o pastor que as pessoas querem que eu seja , mas o pastor que Deus sonha que eu seja. Pretendo, se Deus permitir, fazer o que Deus me chamou para fazer: o trabalho do pastor. É como disse Eugene Peterson, de quem absorvo os pensamentos a seguir: “Faz parte do trabalho pastoral andar num mundo estranho, colocar os pés no chão e abraçar o local. O trabalho pastoral implica trabalhar no local, revolvendo as coisas no solo específico de uma igreja específica.”
Convivo, e ainda conviverei com todo tipo de gente. Até com gente com a qual eu não desejaria passar o resto da vida. Não sou um pastor ideal. Na verdade, eu nem sei se esse tipo de pastor existe, embora alguns achem que sim e insistam em acreditar nisso. No fundo, Deus me ensinou que não sou ideal em nada. Não sou o esposo ideal, o pai ideal, o amigo ideal, o cristão ideal, nem mesmo o pastor ideal. Quem sou eu? Você deve estar perguntando. Sou exigente, rude, mal-humorado, insensível, pouco observador, mas estou procurando ser obediente e é só isso. Você acha pouco? Então deveria pensar um pouco mais na sua vida. Deixar Deus mostrar quem verdadeiramente você é, sem resistência, e obedecer.
Deus me mandou ponderar e pregar a história do evangelho, fazendo-a acessível a pessoas de culturas e experiências diferentes. Trabalhar para ver a história de Cristo nas pessoas, esse é, sem dúvida, um trabalho privilegiado e glorioso. Esse deve ser o trabalho de todo pastor.
Aprendi que Cristo se antecipa a mim. Ele chega primeiro às reuniões, aos compromissos da agenda, às visitas e aos funerais. Preciso estar atento àquilo que Ele já fez e estará fazendo em todos os lugares para onde vou, sob sua ordem. Permitir que Ele seja a boca e não eu. Entendi que preciso segui-lo e esclarecer alguma palavra ou sentimento, reatar algum relacionamento esquecido, recuperar lembranças importantes, mas sempre com a convicção daquilo que Ele já fez.
Não gostaria que a palavra pastor fosse uma palavra desgastada para mim, pois sou um deles. Conto com a sua ajuda e agradeço a sua companhia sempre bem-vinda.
Em 2009, Deus mexeu e ainda continua revolvendo o solo (pelo menos é o que parece) da minha espiritualidade. Foi um tempo para rejeitar ideias antigas, fortalecer outras e me abrir para um horizonte de novas ideias. E mais uma vez, por misericórdia, Ele usou os meios que julgou necessários para falar, consciente de que eu o ouviria. Tenho sido verdadeiramente moído e humilhado perante o Senhor. Como sou uma pessoa pouco sensível, principalmente para as coisas espirituais, creio que o Senhor se “esforçou bastante” para se comunicar comigo. Agradeço por sua paciência todos os dias.
Acredito que este ano tem sido um ano singular, pelas dificuldades teológicas e emocionais que enfrentei, em todos os aspectos da minha vida pessoal, mas creio que aprendi algumas coisas importantes.
Decidi abandonar a carreira religiosa e ser um verdadeiro pastor. Não para ser o pastor que as pessoas querem que eu seja , mas o pastor que Deus sonha que eu seja. Pretendo, se Deus permitir, fazer o que Deus me chamou para fazer: o trabalho do pastor. É como disse Eugene Peterson, de quem absorvo os pensamentos a seguir: “Faz parte do trabalho pastoral andar num mundo estranho, colocar os pés no chão e abraçar o local. O trabalho pastoral implica trabalhar no local, revolvendo as coisas no solo específico de uma igreja específica.”
Convivo, e ainda conviverei com todo tipo de gente. Até com gente com a qual eu não desejaria passar o resto da vida. Não sou um pastor ideal. Na verdade, eu nem sei se esse tipo de pastor existe, embora alguns achem que sim e insistam em acreditar nisso. No fundo, Deus me ensinou que não sou ideal em nada. Não sou o esposo ideal, o pai ideal, o amigo ideal, o cristão ideal, nem mesmo o pastor ideal. Quem sou eu? Você deve estar perguntando. Sou exigente, rude, mal-humorado, insensível, pouco observador, mas estou procurando ser obediente e é só isso. Você acha pouco? Então deveria pensar um pouco mais na sua vida. Deixar Deus mostrar quem verdadeiramente você é, sem resistência, e obedecer.
Deus me mandou ponderar e pregar a história do evangelho, fazendo-a acessível a pessoas de culturas e experiências diferentes. Trabalhar para ver a história de Cristo nas pessoas, esse é, sem dúvida, um trabalho privilegiado e glorioso. Esse deve ser o trabalho de todo pastor.
Aprendi que Cristo se antecipa a mim. Ele chega primeiro às reuniões, aos compromissos da agenda, às visitas e aos funerais. Preciso estar atento àquilo que Ele já fez e estará fazendo em todos os lugares para onde vou, sob sua ordem. Permitir que Ele seja a boca e não eu. Entendi que preciso segui-lo e esclarecer alguma palavra ou sentimento, reatar algum relacionamento esquecido, recuperar lembranças importantes, mas sempre com a convicção daquilo que Ele já fez.
Não gostaria que a palavra pastor fosse uma palavra desgastada para mim, pois sou um deles. Conto com a sua ajuda e agradeço a sua companhia sempre bem-vinda.
Guarda O Teu Coração
“Guarda o teu coração com diligência, pois dele procedem as fontes da vida (Provérbios 4:23).Guarda o teu coração. Mais pessoas no mundo se tornariam felizes ou mais felizes do que já são se aprendessem a proteger seus corações.” A palavra coração, (no hebraico: לִבֶּ֑ךָ - lib-seja-cha – homem interno, vontade, mente, coração.) que comumente usamos, se refere ao intelecto, à vontade, ao afeto capaz de produzir angústia, tristeza, ira, preocupações, melancolia, medo, alegria, paz, segurança. O coração é a evidência de quem somos, do conjunto dos nossos sentimentos, embora na maioria das vezes não tenhamos coragem de admitir o tipo de sentimento que alimentamos no coração.O melhor recurso que uma pessoa pode usar para reduzir os danos emocionais que a vida, por si só, é capaz de produzir na caminhada, é, sem dúvida, a construção de uma mente saudável. Uma mente saudável não é tão fácil de conseguir e ninguém consegue tal objetivo de um dia para o outro, porque na maioria das vezes as pessoas não estão muito dispostas a falar de si mesmas com transparência ou preferem ignorar sua condição atual, “empurram o lixo pra debaixo do tapete”. Quase ninguém tem interesse em falar do “lixo acumulado” dentro do coração, nem tem o bom senso necessário para evitar que as pessoas depositem “lixo” dentro de seus corações. Ou seja, não tem disposição para enfrentar todos os pensamentos, vontades e afetos que fazem parte de sua vida. Lá, bem lá dentro, estão guardadas todas as questões da vida que as tornam infelizes ou felizes. Certamente, alguém que deseje proteger o seu coração precisará abri-lo para uma limpeza considerável. Lembre-se de que uma das acusações mais duras que Jesus Cristo fez em relação ao comportamento dos fariseus e líderes religiosos de sua época, foi a de que seus corações eram semelhantes a sepulcros: belos por fora, porém terrivelmente podres e sujos por dentro. Sua palavra identificava corações manchados por toda espécie de fingimento e pecado (Mt. 23: 27-32).Ficou claro nas palavras de Jesus, a verdade de que o nosso coração é o responsável pela nossa edificação emocional, moral e espiritual. Somos, portanto, os responsáveis por vigiar o nosso coração. Gosto de pensar na idéia de que à medida que nos tornamos mais criteriosos quanto àquilo que pretende penetrar no nosso coração e em relação àquilo que pode sair dele, mais nos aproximamos da realização pessoal. “Nossa mente se manterá regular ou irregular, confortável ou desconfortável, de acordo como o nosso coração é mantido protegido ou negligenciado” (Mathew Henry´s). Nesse sentido, protegemos nossos corações das dores que os outros podem nos provocar e protegemos os outros das dores que nós podemos provocar, isto é, de fazer doer o coração dos outros.O objetivo precisa ser o de impedir que o coração seja controlado pelos problemas da vida e mantê-lo afastado de qualquer delito que, naturalmente, ele é capaz de produzir. Note que a proposta não é fugir dos problemas, mas sim manter um coração saudável no meio deles. “Nosso ser interior” deve ser guardado como o maior bem que possuímos. É como se sentinelas bem treinadas fossem instruídas a montar guarda em volta do nosso coração para impedir que ele seja feito prisioneiro por seus inimigos e ao mesmo tempo passassem em revista tudo aquilo que se propõe a sair dele.
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