quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Ponto Zero

De todas as vivências que experimentei, neste ano que vai nos deixando, entre descobertas, perdas, fracassos e vitórias, uma foi determinante para algumas decisões que tomei em relação a Deus, ao ministério pastoral, à igreja e à vida familiar.
Em 2009, Deus mexeu e ainda continua revolvendo o solo (pelo menos é o que parece) da minha espiritualidade. Foi um tempo para rejeitar ideias antigas, fortalecer outras e me abrir para um horizonte de novas ideias. E mais uma vez, por misericórdia, Ele usou os meios que julgou necessários para falar, consciente de que eu o ouviria. Tenho sido verdadeiramente moído e humilhado perante o Senhor. Como sou uma pessoa pouco sensível, principalmente para as coisas espirituais, creio que o Senhor se “esforçou bastante” para se comunicar comigo. Agradeço por sua paciência todos os dias.
Acredito que este ano tem sido um ano singular, pelas dificuldades teológicas e emocionais que enfrentei, em todos os aspectos da minha vida pessoal, mas creio que aprendi algumas coisas importantes.
Decidi abandonar a carreira religiosa e ser um verdadeiro pastor. Não para ser o pastor que as pessoas querem que eu seja , mas o pastor que Deus sonha que eu seja. Pretendo, se Deus permitir, fazer o que Deus me chamou para fazer: o trabalho do pastor. É como disse Eugene Peterson, de quem absorvo os pensamentos a seguir: “Faz parte do trabalho pastoral andar num mundo estranho, colocar os pés no chão e abraçar o local. O trabalho pastoral implica trabalhar no local, revolvendo as coisas no solo específico de uma igreja específica.”
Convivo, e ainda conviverei com todo tipo de gente. Até com gente com a qual eu não desejaria passar o resto da vida. Não sou um pastor ideal. Na verdade, eu nem sei se esse tipo de pastor existe, embora alguns achem que sim e insistam em acreditar nisso. No fundo, Deus me ensinou que não sou ideal em nada. Não sou o esposo ideal, o pai ideal, o amigo ideal, o cristão ideal, nem mesmo o pastor ideal. Quem sou eu? Você deve estar perguntando. Sou exigente, rude, mal-humorado, insensível, pouco observador, mas estou procurando ser obediente e é só isso. Você acha pouco? Então deveria pensar um pouco mais na sua vida. Deixar Deus mostrar quem verdadeiramente você é, sem resistência, e obedecer.
Deus me mandou ponderar e pregar a história do evangelho, fazendo-a acessível a pessoas de culturas e experiências diferentes. Trabalhar para ver a história de Cristo nas pessoas, esse é, sem dúvida, um trabalho privilegiado e glorioso. Esse deve ser o trabalho de todo pastor.
Aprendi que Cristo se antecipa a mim. Ele chega primeiro às reuniões, aos compromissos da agenda, às visitas e aos funerais. Preciso estar atento àquilo que Ele já fez e estará fazendo em todos os lugares para onde vou, sob sua ordem. Permitir que Ele seja a boca e não eu. Entendi que preciso segui-lo e esclarecer alguma palavra ou sentimento, reatar algum relacionamento esquecido, recuperar lembranças importantes, mas sempre com a convicção daquilo que Ele já fez.
Não gostaria que a palavra pastor fosse uma palavra desgastada para mim, pois sou um deles. Conto com a sua ajuda e agradeço a sua companhia sempre bem-vinda.

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